ESTUDANTE SANTARENA PARTICIPA DE CONFERÊNCIA DA ONU NO EGITO SOBRE BIODIVERSIDADE
Luísa Falcão, 20 anos, é estudante de Direito, da Ufopa. Representantes de 196 países participam do evento.
Por Jéssica Luz, G1 Santarém — PA
Luísa Falcão, de 20 anos, estudante da Ufopa, participa da 14ª
Conferência das Partes sobre a Convenção de Diversidade Biológica da
Organização da Nações Unidas — Foto: Luísa Falcão/Arquivo pessoal
Uma estudante de Santarém, no oeste do Pará, está na cidade de Sharm
El-Sheikh, no Egito, participando da 14ª Conferência das Partes sobre a
Convenção de Diversidade Biológica, da Organização da Nações Unidas
(COP-CBD da ONU), que ocorrerá até o dia 29 de novembro. Ela leva a voz
de jovens que se preocupam e atuam em prol da preservação do meio
ambiente.
O evento iniciou dia 17 deste mês e tem o objetivo de declarar os
direitos e as obrigações dos países signatários, como o Brasil, com
relação às políticas públicas voltadas à biodiversidade. Representantes
de 196 países discutem a manutenção da biodiversidade e a cooperação
científica e tecnológica, além de reconhecer os investimentos
necessários para conservar a biodiversidade no planeta.
A santarena que participa do evento é a estudante de direito da
Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Luísa Falcão, de 20 anos,
que pesquisa sobre direitos humanos e justiça socioambiental.
Ela faz parte da organização de jovens "Engajamundo", que atua em
pautas diversas como gênero, biodiversidade, mudanças climáticas e
desenvolvimento sustentável.
“Vim pra cá através de uma parceria com a Rede Global de Jovens pela
Biodiversidade (em inglês, Global Youth Biodiversity Network - GYBN),
que é a organização que representa oficialmente a juventude aqui nesse
espaço, podendo inclusive fazer intervenções no texto oficial da
Convenção”, explicou a jovem.
No discurso em nome da Rede Global de Jovens Pela Biodiversidade, Luísa
Falcão destacou os fatores que causam efeitos negativos sobre a
biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, como técnicas de mineração
insustentáveis e os projetos de infraestrutura que são desenvolvidos sem
Consentimento Livre, Prévio e Informado de áreas protegidas e terras
indígenas, desmatando a floresta e quebrando corredores biológicos.
Além disso, ressaltou as possibilidades para que a preservação ocorra,
com avaliações de impacto ambiental. “Agrupar os setores de energia e
mineração, infraestrutura, fabricação e processamento não permite
analisar os impactos, as lacunas e as melhores práticas nesses setores
separadamente, embora eles tenham diferenças fundamentais”, frisou.
O discurso destacou o respeito aos povos indígenas e comunidades locais
que são afetadas com alguns projetos que violam os direitos humanos,
como da Amazônia. “Não podemos tolerar a apropriação de terras
protegidas e terras indígenas por pessoas de fora. Não podemos
testemunhar em silêncio toda a lavagem verde, lavagem de direitos e
etnocídio que estão acontecendo”, disse.
Jovens intervém na Convenção de Diversidade Biológica para sustentabilidade do planeta — Foto: Luísa Falcão/Arquivo pessoal
A Conferência ocorre a cada dois anos como uma maneira de definir
regras para assegurar o uso sustentável e a justa repartição dos
benefícios provenientes do uso econômico dos recursos genéticos.
A Convenção da Biodiversidade Biológica, da qual trata o evento, é um
acordo internacional no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU)
que possui três objetivos centrais: a) a conservação da diversidade
biológica; b) a utilização sustentável de seus componentes e c)
repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização de
recursos genéticos.
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